segunda-feira, 2 de maio de 2016

GERMINAL


GERMINAL

Desconheço a autoria dessa imagem mas sempre que a reencontro em alguma pagina da internet surge, de forma gritante, tudo o que a ideia de Vida pode conter.

Até mesmo aquele paradoxo sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha, com que tanto me divertia quando criança, retorna, desta vez mais sério e instigante.

Planeta terra, azul como na descrição do astronauta, encerra em suas entranhas o fogo, em forma de magma. É a vida em ebulição, incandescente em sua força criativa e transformadora. É o fogo, o sopro da Criação, a materialização do poder gerador, a concretização da vontade, o calor que nutre, acolhe, abriga, cura e protege.

Esse ovo espacial, cuja serena casca, recortada por mares e continentes, não revela o âmago vivo, o coração pulsante de suas entranhas. Mantém-se girando em órbitas que os homens da ciência qualificam e quantificam baseados em... em que coordenadas espaciais, dentro do infinito, podem os homens se basearem? Neste momento em que digito, onde exatamente me encontro? E em que posição, se levarmos em consideração todo o espaço que nos abriga, e não apenas usarmos como referencias estes pequenos corpos do nosso sistema?

Essa foto, digitalmente alterada, lembra um embrião, uma vida que acontece numa mágica que só mesmo os deuses poderiam ter imaginado. Alquimista-mór, o Criador nos fez assim, ovo e galinha ao mesmo tempo, criaturas e criadores, invólucros e essência.



Quando vejo, em qualquer oráculo, inclusive na carta 31 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) a carta do Sol, imediatamente a associo a estas mesmas idéias: fonte geradora de novas energias. Chocadeira de idéias, emoções, desejos, vontades, inspiração, o Sol é o alimento, em forma de luz e calor, que necessitamos para sermos gerados e, consequentemente, sermos também férteis, em todos os aspectos.
É reconhecer-se funcional, consciente, ativo, participando, como autor e como platéia, dessa mágica chamada Vida.

Alex Tarólogo

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

ACÃO



NA ESTRADA

A foto, ainda que a princípio tenha um aspecto hilário, além de muito criativa é um ótimo exemplo de como podemos "atualizar", por exemplo, a imagem da carta do Carro, Arcano 7 do Tarot.

O que me atrai nesse conceito que o fotógrafo brilhantemente expressou, é a de que somos nós o "veiculo" que vai em busca, que acelera, que se atrasa, cujo pneu fura, ou a turbina pára de funcionar. Somos nós mesmos os pilotos, motorista, aqueles que fazem a máquina funcionar e que a conduzem por tradicionais e seguras rotas pré-fixadas e, algumas vezes, por estradas estranhas e desconhecidas, pelo simples prazer em explorá-las.

Quantas vezes, por comodismo ou medo, pegamos carona no carro alheio, permitindo que eles nos conduzam, acomodando-nos à sua velocidade e destino? Quantas vezes nos deixamos ficar indiferentes aos nossos desejos ou objetivos e, de maneira alienada, entregamos nossas vidas nas mãos dos outros? E em quantas outras lacrimosas ocasiões nos arrependemos disso?

Para ser o piloto, motorista, condutor da nossa própria vida também há que se ter habilitação. Também será necessário provar-se capaz de compreender os sinais de alerta nas ruas e estradas, de saber manobrar com destreza, respeitando leis e obedecendo regras. É preciso mostrar-se habilidoso não somente no arrancar com o veículo, mas também nos momentos mais difíceis de estacioná-lo, quando encontramos o espaço que buscávamos e que se ajusta perfeitamente às nossas necessidades.




E devemos estar atentos à manutenção da viatura. Cuidar do todo e das partes. Da lataria ao computador de bordo. Saber identificar problemas e onde buscar as necessárias soluções. Não deixar que o carro envelheça em sua funcionalidade, ainda que o modelo possa ficar antiquado. Embutir-lhe novas tecnologias para que a segurança de nossas decisões estejam garantidas, beneficiando que completemos nossos planos de viagem.

E, muito importante, é não conduzi-lo sob a influência de nada que possa iludir-nos, desorientar nossa capacidade, diminuir nossa autonomia e embaçar nossa visão do caminho. Pois o carro e seu motorista são um só, fundidos numa única entidade. Se, para assumirmos o controle da direção é necessário que estejamos suficientemente experimentados, para conduzi-lo é preciso sabedoria, destreza, auto-confiança e determinação. É preciso sentir que é chegado o momento exato de acionar a partida e pisar, com firmeza e segurança, no acelerador.

O resto? Bem, o resto vem naturalmente e daí então é só aproveitar a viagem.

Alex Tarologo

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segunda-feira, 18 de abril de 2016

LOUCO






LOUCO


Um homem flutua, segurando balões de gás, sobre as ruas de uma metrópole. Fantástica imagem! A cidade, em seu desenho retilíneo e preciso, na impessoalidade de suas formas, no movimento constante dos carros que trafegam suas ruas e avenidas transportando seus habitantes, na claridade ainda acinzentada do amanhecer (ou será anoitecer?), na altura ciclópica de seus arranha-céus, parece alheia ao homem que flutua por seu céu.
Quem é, o que faz e pensa e para onde vai esse homem, chapéu na cabeça e maleta na mão? Um anjo disfarçado de executivo? Um inventor maluco? Um novo super-herói? O que motiva alguém a lançar-se nas alturas, confiando apenas numa meia-dúzia de balões e ao sabor dos ventos? Quem é esse ... Louco?

Sem número, zero ou 22, a carta do Louco é aquela que simboliza o Tudo e o Nada a um só tempo. Por paradoxal que pareça, ela é todas as outras 21 cartas dos Arcanos Maiores, e nenhuma delas também. É a sabedoria contida em cada uma das lâminas do tarot, adquiridas através da experiência em viver o significado dos seus símbolos, e, no mesmo momento, ela é a tolice de quem ainda vive desconhecendo essas virtudes e sua importância para a própria evolução.

Nas cartas encomendadas pelo ocultista Waite à artista plástica Pamela Smith, essa figura é de um jovem dinâmico, de largos passos, vestido com uma túnica verde florida (a lembrar o Homem Verde, comum em outras mitologias), um chapéu decorado com uma pena que aponta para o céu, e, finalizando, um bastão que prende uma pequena trouxa sobre um ombro e uma rosa branca numa das mãos. O dia ensolarado e a claridade do ar do ambiente montanhoso, tão afastado de onde os homens vivem, atraem seu olhar para o alto, e, ignorante do fato de que está a um ou dois passos de um precipício, caminha destemido para ele. Como companhia, apenas um cão, que percebendo o que está para acontecer, procura evitar que ele salte no vazio, mordendo-lhe o calcanhar.




Essa é a típica figura da espontaneidade, da despreocupação, da extravagância, da coragem e destemor que só os muito loucos ou os muito sábios possuem. Há que acreditar-se muito e ter uma inabalável fé na proteção concedida pelo Universo para intentar algo, aparentemente, tão absurdamente irracional. Mas é exatamente isso que o Louco do tarot está por fazer: arriscar-se. Dar um salto mortal, sem rede de proteção.

O Louco, na taromancia, sempre foi visto como o rebelde, aquele que se sente desajustado diante de uma situação estabelecida; é a pessoa ou o evento que fogem à norma, ou o ingênuo, o inocente, o inexperiente que ainda tem muito a aprender. Ele costuma ser entendido como alguém despreocupado, sem planos para o futuro, sem compromissos com o passado, sem preocupações com o presente. Alguns lhe enaltecem a personalidade, forte, única, pois confia em si e acredita em tudo o que faz. Outros o vêem como algo misterioso, que não consegue ser explicado racionalmente e que, portanto, ameaça a estabilidade daquilo tudo que consideramos normal, apropriado, natural, evidente, seguro, confortável, fácil, óbvio, legal, verdadeiro, estabelecido, conveniente, etc.

Comparando as duas imagens, o que ressalta é que ambos estão prontos para "caminhar no ar", dar um salto para uma nova fase, um novo tempo, um outro lugar, uma nova forma de pensar, uma nova etapa da vida. A possibilidade de aventura contida nesse gesto, nesse passo rumo ao abismo, nesse flutuar por sobre o mundo como o vemos e compreendemos, é a grande qualidade desse Arcano. Sua mensagem é ser autêntico e, para tanto, não temer infringir convenções, abandonar velhos métodos, deixar de lado o medo do inesperado, aceitar as surpresas e permitir-se começar algo novo (mesmo que seja novo apenas para si mesmo), que ainda não tenha sido testado.

Se não houver uma dose de infantil ingenuidade (os balões de gás), de pureza de alma e intenções (a rosa branca), de uma sensação de absoluta liberdade (voar pelo céu, estar no alto das montanhas), de não-conformismo (a extravagância no voar sobre a cidade, de saltar por sobre o abismo), de busca de novas experiências (a mala e a trouxa são pequenas e muito pouco podem levar daquilo que já conseguiu), se nada disso houver, esse homem ainda não está preparado para se iniciado nos mistérios da vida, e que as 22 cartas do tarot revelam.

O Louco é aquele que está aberto a tudo o que o futuro oferece, sem preconceito, sem preocupações, pronto a envolver-se com o inesperado, sentindo-se impelido a lançar-se a grande aventura que Viver por um chamado de fé e absoluta confiança no Universo, crente que tudo vai dar certo.
E lá segue o homem que voa segurando-se aos balões, flanando pela brisa que envolve a cidade, espírito livre, aproveitando cada inesperada oportunidade, buscando a si mesmo e encontrando-se em cada novo aprendizado, em cada nova experiência.

Alex Tarólogo

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quarta-feira, 13 de abril de 2016

PÂNICO




PÂNICO

Poucas coisas são piores do que as consequências de fantasias mórbidas. É algo que desestabiliza por completo qualquer ser humano. A imaginação, que é o produto da atividade cerebral unida a algo muito mais impalpável, mais elevado, que poderíamos chamar de espiritual, às vezes nos prega peças.
O corpo reage imediatamente, com descargas seguidas de adrenalina que só fazem aumentar vertiginosamente a ansiedade, a sensação de perigo e morte eminentes.
Um pavor irracional e absoluto toma conta do indivíduo, que se sente totalmente desprotegido, à mercê de algo que ele não compreende, não visualiza corretamente e que se confunde com a realidade. Tontura, sudorese, taquicardia, paralisia momentânea, necessidade de fugir sem saber exatamente do quê ou para onde são alguns dos sintomas mais comuns.

Quando a pessoa acometida desse mal consegue superar a vergonha de confessá-lo e procurar ajuda terapêutica adequada, o processo de cura é mais ou menos rápido, dependendo em quanto essa absoluta e injustificada sensação de insegurança está, neuroticamente, instalada e sedimentada no sujeito.
Síndrome de Pânico é o nome popular dado a esse conjunto de sintomas motivados por uma alteração química, ou qualquer outro motivo que a ciência e os terapeutas profissionais, justifiquem o desencadear de medos, terrores, angústias totalmente injustificados.

A figura clássica da mulher sentada em sua cama, no meio da noite, com as mãos segurando a cabeça, e com 9 espadas pendendo sobre si, é uma excelente ilustração para essa síndrome.
A ideia de isolamento e imobilidade para fugir, de viver às escuras, sem saber quando, onde ou porque será acometida novamente por um surto, tentado, com as mãos, impedir que o cérebro libere imagens aterrorizantes, foi perfeitamente detalhada, a pedido do criador desse maço de cartas, o Waite, pela artista Pamela Colman Smith.



É pura imaginação, e depois de diagnosticado, o indivíduo sabe disso. Sabe que seus pensamentos, naqueles momentos, não refletem nenhuma condição real, que é um processo de breve duração, às vezes pouquíssimos minutos. Sabe também que respirar tranquila e ritmicamente, evitar entrar em desespero tentando o que parece ser impossível, ou seja, relaxar, irá ajudar na brevidade da crise. Mas enquanto ela dura, ainda que sejam alguns intermináveis segundos, é uma experiência que parece ser semelhante aos instantes que antecedem uma morte violenta.

Hoje, observando a imagem que ilustra este comentário, encontro nelas claros sinais desse tipo de tormento mental. O medo incontrolável ao sentir, sem conseguir justificar, que algo de terrível está para acontecer. Que o planeta vai girar fora de sua órbita e estaremos vagando na infindável escuridão espacial, que a água do banho de chuveiro irá nos afogar, que acordaremos completamente desmemoriados, sem saber quem somos, que sofreremos uma crise durante uma viagem de avião e que correremos até a porta da cabine, abrindo-a e causando a queda do aparelho... Soturnos delírios da imaginação. Pânico.

Mas no Tarot, quando temos escuridão na representação da carta, simboliza que, além daqueles limites reina a luz. A luz que revela a verdade, que esclarece os fatos, que elucida os problemas, que elimina as assustadoras sombras e sons ouvidos à noite.
É preciso aproveitar os momentos mais iluminados para buscar ajuda profissional adequada e, também, conscientizar-se de que nada de concreto, verdadeiro, premonitório ou espiritual existe naqueles terríveis momentos de crise. Que tudo não passa de mera fantasia e, como toda fantasia, tem data para acabar e não deve e nem pode competir com a verdade, a lógica e a razão.

Alex Tarologo

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segunda-feira, 4 de abril de 2016

JUSTIÇA





Todas as vezes que olho para a imagem acima me pergunto: o que é que o homem sentado em frente aos seus investigadores tem a dizer ou a esconder? Qual é a história desse personagem e por que ele se encontra nessa situação? O que querem saber dele as frias, calculistas, “científicas” figuras que o analisam em minúcias? E o que estará escrito nas folhas do manual ou laudo dos que o avaliam?
O homem, pela imagem refletida nos espelhos dos microscópios, tem o rosto tenso, nervoso, de quem teme o resultado da sua avaliação.
Seus julgadores, por sua vez, tem o olhar impessoal, frio, atento, investigativo, de quem considera unicamente os fatos, de forma analítica, despidos de qualquer paixão ou outro interesse pelo ser humano à sua frente. Aliás, nem mesmo nisso ele se parecem. Já nem mais corpos, como os da nossa espécie, possuem, mas estão transformados em instrumentos de pesquisa, ampliando os detalhes sob possantes conjuntos de lentes.

Encontro semelhanças no olhar abstraído dos 3 julgadores com o da figura da Justiça do tarot Rider-Waite. É um olhar que parece não estar concentrado no que se vê, mas ultrapassa a camada mais evidente da realidade, em busca da essência do personagem ou do fato. Pois a Justiça não deve ater-se às aparências, pois as sabemos enganosas, e sim utilizar do seu instrumental (a espada, no caso da carta do tarot, ou as lentes de aumento, no caso da imagem em questão) para obter respostas que não permitam evasivas, subentendidos, ou mesmo, desculpas.




Imparcialidade tanto no processo investigativo quanto no julgamento é o que essa espada em riste, que a mulher da carta do tarot segura, significa. Ela oferece a mesma condição de análise, o mesmo critério e extensão de julgamento, o mesmo tipo de punição em ambos os lados da lâmina. Não beneficia ou privilegia a nada ou ninguém. Não tem opinião própria, pois baseia-se em fatos, em evidências, em medidas e critérios criados pela sociedade como um todo, a cada época, para regular o convívio social.

Todos os aspectos relacionados à questão são beneficiados com a mesma imparcialidade, representada pelos pratos nivelados da balança, ou, no caso da ilustração acima, pelo número ímpar de “juízes”, todos com as mesmas características e semelhanças. Essa maneira de “ver” a todos sob a mesma ótica, beneficiando-se das mesmas condições, é traduzido pela imagem da Justiça “cega”, com os olhos vendados, indiferente às diferenças naturais dos seres humanos. Todos são iguais perante a lei, é uma afirmação que justifica a venda sobre os olhos, eliminando a complacência do olhar apaixonado e permitindo que apenas a razão pura prevaleça.

Justiça é uma virtude e um ideal. Um critério que sofre alterações constantemente, acompanhando a evolução das mulheres e homens que habitam este planeta. Se a ideia do que é justo é algo divino, as leis que a descrevem, regulam e sacramentalizam são criadas por seres em evolução e, portanto, passiveis de cometerem constrangedores enganos em seu nome.

Ainda que esse Arcano possa representar assuntos relacionados com a Justiça dos homens (ações, processos, juízes, advogados, promotores, audiências, causas, pareceres, documentos, etc), ela fala diretamente ao padrão ético e moral de cada indivíduo. É sobre como analisamos, investigamos, tiramos conclusões e aplicamos julgamentos nos fatos e nas pessoas que permeiam nosso dia a dia que essa carta se relaciona. O quanto somos, ou não, tendenciosos, irresponsáveis, prepotentes, relapsos, venais, cruéis, capazes, justos, rigorosos, sérios, descomprometidos ou éticos ao avaliarmos as ações alheias.

Quando olhamos a imagem do homem sentado, quase acuado, ansiedade estampada no rosto e na postura, frente aos seus inquisidores, também nos leva a pensar que estamos constantemente sendo avaliados em nossa conduta e desempenho. Seja no trabalho, no âmbito familiar, pelas nossas posições políticas, filosóficas ou religiosas, pela nossa conta bancária, pelos nossos talentos ou a falta de alguns deles, onde moramos, como nos vestimos e comportamos, o que ou quem frequentamos e, até mesmo, pela nossa aparência física, há sempre algum tipo de julgamento sendo realizado.

Se a perfeita ideia de Justiça é tão somente um ideal, que possamos dele nos utilizar da mais perfeita forma para que todos possamos viver dignamente, respeitando diferenças para nunca incorrermos no triste fato de desequilibrar os pratos da balança e, com isso, a harmonia no Universo.


Alex Tarólogo

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quarta-feira, 30 de março de 2016

TRÉGUA


 

A pausa que refresca”. Esse sempre foi um dos slogans da Coca-Cola, essa marca de refrigerante que dominou o mundo através de uma maciça, criativa, popular, e sem data para terminar, campanha publicitária. Enfim, há que se reconhecer que uma simples receita de um “tônico” tenha evoluído para uma das marcas mais valiosas e, como bebida, tenha atingido e agradado a tantos, em todas as regiões do globo.
Mas o que mais me agrada na publicidade acima é a frase que a acompanha e justifica a imagem que a ilustra. A dona de casa, entre tantos afazeres domésticos, concede-se alguns momentos de distanciamento de suas obrigações e dedica-se a saborear... o dia, o tempo que passa, as imagens que surgem em sua mente, a satisfação de estar ali, presente, vivendo aquele momento sem expectativas ou ansiedades. É um momento de recuperação, de restauro das energias. Hora de recarregar as baterias. Um intervalo entre uma e outras atividades.





O cowboy deitado no meio do campo, com 4 espadas pendentes sobre si, em muito se assemelha à mulher da figura no alto desta página: dando um tempo entre tarefas a serem cumpridas, obstáculos a serem vencidos, planos a serem pensados, problemas a serem resolvidos, assuntos a serem discutidos, decisões a serem tomadas.

Ainda que ele não faça uso do estimulante e gaseificado frescor do refrigerante, ele busca o tranquilo e silencioso ambiente do claustro para isolar-se, momentaneamente, e repor as energias que lhe serão necessárias para solucionar todas as pendências. Creio que, cada um à sua maneira, encontrou uma forma de desestressar-se no transcorrer da execução de suas obrigações e compromissos. Inúmeras vezes nos vemos “bombardeados” com uma sucessão de problemas a serem resolvidos, de atividades a serem cumpridas, e acabamos por resolver tudo às custas de muito esforço e sacrifício, terminando esgotados e sem nenhuma satisfação com todo o processo. Noutras, nos atrapalhamos na execução dos mesmos e não os completamos ou, pior, os fazemos mal feitos devido à impossibilidade de nos concentrarmos num só a cada vez. Em todos os casos, saímos decepcionados e vencidos, com uma sensação de amarga sensação de incapacidade.

Entretanto, o que a carta do 4 de Espadas do tarot simboliza é a busca de uma estabilidade pessoal, de um equilíbrio, de uma harmonia interior. O guerreiro está deitado numa perfeita horizontalidade, perfeitamente apoiado à pedra que o suporta. Sua posição é formal, equilibrada, porém tranquila. A espada que está sob seu corpo pode estar sugerindo que, entre os problemas a serem pensados e resolvidos, alguns já foram solucionados, enquanto que outros aguardam, seu retorno à ativa, para serem avaliados e resolvidos.

Saber o momento de fazer uma trégua na luta diária, consciente que tudo poderá ser melhor esclarecido, analisado e executado se estivermos no melhor do nosso desempenho físico, mental e emocional, é um bom pressuposto para ações vitoriosas.
Há quem para tudo e vai dar uma breve caminhada; outros relaxam por alguns minutos ouvindo música; alguns leem um poema ou mais um capítulo de um livro; há quem prefira meditar. Qualquer que seja o método usado, o importante é aproveitar esses momentos para desviar a atenção do assunto em questão e procurar reencontrar o equilíbrio perdido. 
Para “cabeça quente” nada melhor que uma pausa refrescante.


Alex Tarólogo

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terça-feira, 22 de março de 2016

RUÍNA



 
Essa foto do filme “M, o Vampiro” (1931), uma das obras primas do Expressionismo alemão do diretor Fritz Lang, mostra o momento em que o personagem principal do filme, um serial-killer, é identificado pela população.
Os dedos acusadores, incriminando o suspeito, tornam ainda mais evidente a expressão de total desamparo e desespero do ator Peter Lorre. O “vampiro” foi, finalmente, após uma trilha de crimes cometidos contra as crianças de Dusseldorf, desmascarado. Em seu rosto, um rictus de horror que muito revela sobre seu caráter, como da tomada de consciência das consequências de seus atos.
Não mais mentiras, disfarces, subterfúgios. A hora da verdade é chegada. Esse assassino pode ter enganado a muitos, durante muito tempo e isso pode te-lo transformado num arrogante matador. Entretanto, mesmo que tardia, a verdade é algo da qual não podemos escapar totalmente e, no caso desse personagem, a foto acima retrata a sua queda.
Nada mais poderá salvá-lo. Todas as suspeitas se confirmaram e provas concretas foram coletadas. Não há mais condições para álibis ou novas mentiras. O rastro de seus crimes e o acreditar-se mais esperto e inteligente que todos os demais, foram a sua própria armadilha. Agora é o momento em que o Ego é reduzido à nada.



A pintora Pamela Colman Smith, no começo do século passado, criou uma imagem muito dramática para a carta 10 de Espadas do tarot do Waite. Nela, uma figura humana está prostrada ao chão com 10 espadas cravadas em suas costas. É a morte moral, do respeito e aceitação sociais, do orgulho, do Ego. É o fim. Há que reconhecer ter perdido todas as batalhas, ter sido vencido em todas as suas tentativas de impor-se. Não há outra saída a não ser entregar-se, reconhecer a derrota e, como nada mais há para perder, recomeçar a construir-se, agora sem ilusões, sem fraquezas, sem preconceitos, com novas crenças e valores.

O “vampiro”, também, foi derrotado pela luz, pela claridade e transparência da verdade. Seus atos escusos foram expostos, inclusive a si próprio. Ele, que os cometia protegido dos outros, e da sua consciência, nas sombras da noite, tem nos dedos acusadores que apontam em sua direção como que raios de luz a revelar-lhe o quão errado estivera até então. É chegado o tempo de sofrer as consequências dos erros cometidos, resignar-se, curvar-se diante das evidências e, na medida do possível, reerguer-se, regenerar-se, curar suas feridas.
Ambas as figuras, tanto no fotograma do filme quanto na carta, estão sem saída. Um está “contra a parede”; o outro, “derrubado”. Os dois: vencidos, derrotados.
O que cada um foi ou representou, acreditou ou cometeu, está morto e, como tal, dá lugar para o novo. Pior do que está, não vai ficar. É o “fundo do poço” e, como tal, só lhes sobra subir pois, descer mais, é impossível.

Alex Tarólogo

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