quarta-feira, 25 de maio de 2016

TESOURO







TESOUROS DO CORAÇÃO


Onde se pode guardar a felicidade de tal forma que ela permaneça "conservada", inalterável em suas qualidades, preservada da "poluição" e tudo o mais que possa aviltar seus méritos e virtudes?

O trabalho desse artesão que, dentro de um diminuto frasco, eternizou sua ideia de perfeita felicidade fez com que eu imediatamente lembrasse da imagem criada por Pamela Colman Smith para a carta 10 de Copas do Tarot do Waite.

Harmonia, alegria, amor, contentamento nas relações familiares, sociais ou trabalhistas é a essência dessa carta. Ainda que ela se refira, primariamente, à felicidade doméstica, ela é a consequência direta do 2 de Copas, que simboliza o encontro, o contato, o vínculo que estabelecemos com o outro e que, esperançosamente, resulta na sua expansão, agregando outros mais pelos caminhos de seu desenvolvimento.

Se a família, grande ou pequena, é consequência do encontro e comprometimento de duas pessoas, ela também arregimenta a família, os amigos, os conhecidos de ambos os enamorados. Cada um traz seu grupo afetivo para a união. E a soma e equilíbrio entre essas contribuições resulta numa sensação de segurança emocional extremamente satisfatória e produtiva.




Na imagem da lâmina do Tarot um casal e seus filhos demonstram, na sua contemplativa saudação ao arco-íris que se forma sobre suas pessoas e propriedade, uma gratidão que provém do mais fundo de suas emoções. Se o arco-íris é um dos símbolos da presença divina em comunicação com as criaturas, esse grupo de personagens, unidos, expressam seu reconhecimento e encantamento pela "colheita" das bênçãos que lhes foram conferidas.

Também no universo miniaturizado criado pelo artista percebe-se esse mesmo desejo de expressar um estado de harmonia emocional tão importante que se deseja eternizá-lo.
Problemas, dificuldades, insatisfações, quem não as tem, em algumas etapas do caminho? Fazem parte do processo de aprendizagem de todo ser humano. Só sabemos o que é dor ou sofrimento porque conhecemos, e podemos comparar, com a sensação de bem estar e outros aspectos mais saudáveis do viver. Portanto, é natural querer preservar, pelo maior espaço de tempo possível, as condições de alegria e conforto que encontramos quando observamos e vivenciamos os pequenos milagres que a vida constantemente nos concede.

Olhando a imagem da pequena paisagem construída numa garrafinha que pode ser carregada no bolso, penso ser assim a melhor maneira de carregarmos nossas melhores lembranças e sentimentos: sempre conosco, em contato com o coração agradecido.

Alex Tarologo

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sexta-feira, 20 de maio de 2016

OPRESSÃO



OPRESSÃO


Tem gente que se testa o tempo todo. Vai acrescentando, uma a uma, mais obrigações às outras muitas que acumula, só para se provar poderosa. É o Complexo de Super-Homem, de quem tudo pode, como se houvesse uma necessidade intima de provar-se competente, imbatível, indispensável, a única e confiável solução para os problemas de todos os demais.

Costuma justificar-se dizendo que não tem paciência para esperar que os demais cumpram suas respetivas partes, portanto assume toda a responsabilidade sobre o que há para ser feito. Nada o impedirá de perseguir até o fim seus objetivos, nem mesmo o fato de cumpri-los, muitas vezes, de maneira maniqueísta, sem buscar o prazer na execução, mas visando satisfação no simples fato de obter o resultado esperado.

Na centenária imagem do 10 de Paus, criada por Pamela Colman Smith, sob a orientação do Arthur E. Waite, um homem semi-curvado atravessa o campo, dirigindo-se à umas edificações, carregando um enorme feixe de galhos. A alusão ao peso e ao desconforto dos pedaços de Madeira que lhe impedem a visão do caminho, além da forma desajeitada que os galhos estão arfa nados em seus braços, sugerem que, muito provavelmente, teria sido mais sábio ter carregado feixes menores e feito mais viagens, ao invés de sobrecarregar-se.




Assim também é o que vemos na foto no alto da página, onde o homem está praticamente impedido de dirigir seu carro, soterrado por uma impossível quantidade de caixas. Ele também não demonstra nem estar usando o melhor de suas habilidades, nem obtendo nenhum tipo de satisfação na execução de tão absurda tarefa. Na verdade o seu olhar é de uma pessoa oprimida, sem liberdade de manobrar sua condução. Falta-lhe criatividade e flexibilidade, visão do conjunto e consciência da importância das partes.
Do fogo criativo e regenerador do naipe de Paus, só restou a demonstração de força, o cabo-de-guerra que o condutor trava consigo mesmo. "Vou provar que eu sou mais forte do que eles supõem", seu olhar transparece, enquanto que ele se afoga sob o peso dos desafios auto-impostos.
Tolice.

Não é a quantidade de projetos, de idéias, de possibilidades, que definirão a capacidade de alguém, mas a qualidade do resultado e o prazer descoberto e vivido a cada etapa de concretização de cada um dos seus desejos. Fogo é pura paixão incontida, é desejo não domado, é a força vital fluindo e trazendo realização. É liberdade, claridade, luz e calor. Não deveria ser oprimido, aprisionado, limitado, contido.

Os desejos são muitos, as vontades também; o leque de interesses é amplo e as possibilidades, inúmeras. Por que, então, não vive-las uma a uma, experimentando o prazer único que cada uma proporciona em sua realização? Por que, ao invés de buscar alegremente o calor produzido pela fogueira que ilumina a noite escura, ocupar-se apenas da tarefa de carregar a madeira?

Alex Tarólogo

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segunda-feira, 16 de maio de 2016

EM PAZ




EM PAZ

Há, nessa foto, aos meus olhos, uma beleza feita de opostos complementares: Yang e Yin. Céu e Terra. Material e Espiritual. A pedra rude, dura, imobilizada, escamada, modelada pelo tempo, chuvas e ventos, pelos roncos do interior do planeta, é cenário para um dos maiores exemplos da sofisticação do pensamento humano, a música.

Abstratos sons reunidos para expressarem os mais profundos sentimentos abrigados na alma do artista, são executados com elegância, equilíbrio e maestria, como se para amenizarem a desértica paisagem.
Olho uma vez mais a imagem, que me remete à abertura do filme do Kubrick, "2001, uma odisseia no espaço", onde num terreno muito semelhante, habitado pelos nossos darwinianos ancestrais, um irrepreensivelmente geométrico monólito causa estranheza. 
Prenúncio do processo civilizador daquelas simiescas criaturas, vejo-o, novamente, no violoncelista que representa a arte da nossa espécie.

Minha atenção é capturada pela solitária figura desse homem, equilibrando-se elegantemente, aparentemente alheio à primitiva geografia do local. Quanta segurança, quanta experiência, quanta tranqüilidade ele exala ao manusear com destreza e graça o arco de seu violoncelo, inundando aquele pedaço do Universo com sua música.


Ainda que todo o ambiente nos remeta à ideia de dificuldade, agressividade e instabilidade, ele, tranquilo, é a personificação da de toda a evolução do Homem neste planeta. É o retrato da capacidade da mente humana em, alquimicamente, evoluir do estado mais rudimentar de raciocínio a conceitos filosóficos dos mais extraordinários.

E isso necessita de Tempo. E Paciência. Foi preciso que o planeta se alterasse, que oceanos revelassem terras insuspeitas, que espécies surgissem, que seres, os mais diversos, em constante transformação, evoluíssem. Foi preciso sobreviver, procriar, vencer o medo, desenvolver habilidades e, sobretudo, descobrir, muito lentamente, que há um mistério que esconde a verdadeira razão de tudo isso.

Entre a montanha brotando das profundezas da terra e o instrumentista há um lapso de milhões de anos. Ambos são arcanos representantes de seus reinos. Ambos ali estão desde priscas eras, e se reconhecem, e se unem numa brecha qualquer do Tempo, para, juntos, celebrarem a beleza da criação.
E nisso há, ainda, uma beleza maior.

Alex Tarologo

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terça-feira, 10 de maio de 2016

FAXINA






FAXINA

Creio ser impossível olhar com absoluta indiferença para essa foto. O indivíduo, decapitado, aguarda, até que tranqüilamente, enquanto sua cabeça é literalmente agitada dentro da máquina de lavar roupas.
Seu rosto, num ricto de dor e desespero, deixa claro que, ainda que o corpo não demonstre, o que vai pela sua cabeça é pertubador e, sobretudo, que o processo de higienização não é dos mais confortáveis.
Entre outras possibilidades associativas que essa foto me induz, a Torre, Arcano XVI do Tarot é a que mais se destaca.
Basta olharmos para a maioria das interpretações artísticas desse Arcano para vermos que o raio divino, o relâmpago da consciência, atinge o topo da torre. E, quase sempre, há uma coroa encimando essa construção que se despedaça, do alto, em consequência de um evento alheio ao seu controle ou à sua vontade. Afinal, quem controla os desígnios divinos?

Se fizermos um paralelo entre a figura humana e a Torre, veremos que sua posição também é ereta, altiva. Destaca-se da paisagem que a cerca e elevando-se, o mais possível em direção aos céus, à morada dos deuses, ao Olimpo, o Éden onde gostaríamos de viver, semi-deuses que acreditamos ser. Em nossa volúpia pelo poder, em nossa ambição em sermos donos e senhores de tudo e de todos e, até, dos nossos destinos, construímos um ego de desmedidas proporções. Tão fascinados estamos com nossa estatura e o quanto ela nos permitirá alcançar, que chegamos a nos esquecer da base, do terreno em que nos apoiamos, da fragilidade dos elementos em que nos apoiamos para nos destacarmos dos demais.
Como o Dr. Frankenstein, do romance da Mary Shelley, não sabemos, ao final, o que fazer com o Monstro que criamos, remendando pedaços nem sempre compatíveis e, muito menos, harmoniosos. Nos recriamos, numa reles e ridícula imitação do Criador, nos acreditando os novos Prometeu, capazes de insuflarmos uma pretensa nova vida em nossos pequenos corpos.

Nada permanece inteiro se não for construído com cuidado, técnica, atenção ao detalhe e, sobretudo, seguindo um plano bem desenhado e usando material de primeira. Lembram-se da história dos 3 Porquinhos e o Lobo Mau? O único que não teve sua casa destruída pelo sopro do lobo foi aquele que a erigiu com tijolos, madeira, argamassa e telhas. Ou seja, ele não optou por um simples e eventual abrigo, feito às pressas e descuidadamente, como os seus irmãos, que pensaram apenas no imediato, na situação presente. Ele, Prático (esse era o seu nome), sabia que o lobo era mais forte, mais ladino, mais perigoso e que não seria uma única vez que esse embate entre eles se travaria. Construiu, conscientemente, pensando no futuro, na durabilidade, na relação custo-beneficio que isso lhe acarretaria a longo prazo. E, portanto, foi o único que venceu as ameaças que, tão inteligentemente, soube enfrentar.




A Torre sendo destruída por um fenômeno que vem do mais alto, bem mais alto do que ela, simboliza um momento de verdadeira libertação dos indivíduos que estão emparedados por aquelas paredes, alheios à realidade que os cerca, protegidos apenas por suas fantasiosas pretensões, sua elevada auto-estima, seu desconforto em reconhecer-se parte daquilo do qual ele tenta se isolar. A catástrofe o derruba do alto de seu castelo de areia e o obriga a colocar os pés no chão, na realidade.

Adeus delírios de grandeza. Adeus complexo de superioridade. Adeus Monstro feito de retalhos e sem alma. É chegado o momento de se olhar de frente para um espelho e perguntar-se "Quem sou eu, de verdade?"
Difícil? Doloroso? Assustador? Com certeza. Mas necessário. Deve ser o mesmo que a roupa suja, com traços de perfumes caríssimos, restos de alimentos sofisticados, dos elogios recebidos, das grifes que representam o status de seu dono e o suor de festas intermináveis pensaria se possível isso fosse, ao ser colocadas numa máquina de lavar. Mas de lá elas sairão renovadas, livres de todos esses pretensos atributos, novamente colocadas diante das funções que melhor exercem e onde se reconhecem: uma camisa é só uma camisa, e por aí adiante.

Esse homem da foto aguarda essa mesma faxina. Aguarda ter todos os andaimes e muletas que sustentam um indivíduo que não é mais ele, mas um ser irreconhecível, uma verdadeira colagem de falsos atributos e de absurdas fantasias, serem desconstruídos, lavados num processo de limpeza forçado, ao qual talvez tenha se recusado submeter. Muita agitação, muita cê trituração, muito sabão e água limpa serão necessários para remover as manchas do seu auto-reconhecido complexo de inferioridade, do medo que lhe descubram a verdadeira estatura, da sua eterna busca em "ter" porque não sabe "ser.
Mas ao final do processo, ele, novo em folha, estará pronto para recomeçar. Às vezes do zero. Às vezes, com alguma sabedoria adquirida. Mas, com certeza, irá reerguer-se, aos poucos, procurando evitar repetir os mesmos erros. Que desta vez o faça sem querer surpreender, agradar ou humilhar o vizinho, mas para que sua nova estrutura abrigue um ser melhor: ele mesmo.

Alex Tarólogo

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sexta-feira, 6 de maio de 2016

EXCLUSÃO





EXCLUSÃO

A fotografia acima é a síntese dos muitos problemas enfrentados por todos os portadores de deficiências físicas: o descaso generalizado em relação às suas necessidades.
Estar impossibilitado de locomover-se com as próprias pernas e deparar-se, como na foto, uma escadaria, é mais do que um obstáculo a ser enfrentado, mas o reconhecimento que a sua situação não merece o mesmo apreço que a das demais pessoas. É ser marginalizado pela sociedade instituída por não estar "em acordo" com o que ela considera certo, correto, representativo.

O cadeirante, na imagem, não tem acesso ao que pretende porque as demais pessoas, intencionalmente ou não, não levaram em consideração a sua condição ao planejarem a escadaria. E, pelo tamanho da mesma, é como se ali estivesse para lembrá-lo que aqueles que não estão em concordância com os padrões estéticos, econômicos ou culturais de um determinado momento histórico, serão punidos por isso, vetando-lhes atingirem seus objetivos.




A artista plástica Pamela Coleman Smith, ilustradora do tarot do ocultista Arthur E. Waite, criou para o 5 de Ouros uma imagem forte, onde a ideia de ostracismo, exílio, abandono, descaso, injustiça social é evidenciada. As duas figuras que perambulam pela rua, sob uma nevasca, passando num cenário urbano onde não há uma porta sequer onde possam pedir ajuda e abrigo, foi a maneira pictórica que a artista encontrou para representar a noção de rejeição, de falta de apoio social que os dois caminhantes enfrentam. 
Um deles, deficiente, utilizando-se de uma muleta (a incapacitação física) e com uma bandagem a lhe envolver a cabeça (a doença mental), com um sino pendurado ao pescoço, para, de antemão, anunciar a inconveniência da sua presença, indigna e inaceitável. A outra figura, feminina, envolve-se em panos rotos e caminha descalça pela neve, num evidente estado de miséria e privação (o colapso do aspecto material). 
Ambas caminham sob uma janela, onde um grande vitral com o desenho de uma "árvore da vida" formada por cinco pentáculos, é iluminada do seu interior, como que a nos lembrar que o abrigo, a segurança, o otimismo, as possibilidades, o suporte social ou religioso encontram-se bem guardados, protegidos, cultuados, porém inacessíveis aos que não fizeram jus (em que tribunal?) em merecê-los.

A ideia de injustiça permeia essa carta, que, provavelmente será reparada na próxima, o 6 de Ouros. Enquanto isso, as pessoas continuam a passar pelas calçadas abarrotadas de mendigos, enjeitados, doentes, deficientes, e procuram de todas as maneiras ignorar o que está em seu campo de visão. É como se, recusando-se a ver e conscientizar-se de que há insegurança, carência, impotência, doenças e todas as demais formas de privação, elas deixassem de existir ou as tornasse imunes aos problemas e preocupações.

Ainda que esse problema que assola nossas cidades deva ser algo a ser resolvido dentro da esfera governamental, é preciso que se estabeleça a responsabilidade individual, já que todo governo eleito é a representação do nosso caráter, do nosso estágio evolucionário e das nossas ideologias, crenças e aspirações.

Alex Tarólogo

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

GERMINAL


GERMINAL

Desconheço a autoria dessa imagem mas sempre que a reencontro em alguma pagina da internet surge, de forma gritante, tudo o que a ideia de Vida pode conter.

Até mesmo aquele paradoxo sobre o que veio primeiro, o ovo ou a galinha, com que tanto me divertia quando criança, retorna, desta vez mais sério e instigante.

Planeta terra, azul como na descrição do astronauta, encerra em suas entranhas o fogo, em forma de magma. É a vida em ebulição, incandescente em sua força criativa e transformadora. É o fogo, o sopro da Criação, a materialização do poder gerador, a concretização da vontade, o calor que nutre, acolhe, abriga, cura e protege.

Esse ovo espacial, cuja serena casca, recortada por mares e continentes, não revela o âmago vivo, o coração pulsante de suas entranhas. Mantém-se girando em órbitas que os homens da ciência qualificam e quantificam baseados em... em que coordenadas espaciais, dentro do infinito, podem os homens se basearem? Neste momento em que digito, onde exatamente me encontro? E em que posição, se levarmos em consideração todo o espaço que nos abriga, e não apenas usarmos como referencias estes pequenos corpos do nosso sistema?

Essa foto, digitalmente alterada, lembra um embrião, uma vida que acontece numa mágica que só mesmo os deuses poderiam ter imaginado. Alquimista-mór, o Criador nos fez assim, ovo e galinha ao mesmo tempo, criaturas e criadores, invólucros e essência.



Quando vejo, em qualquer oráculo, inclusive na carta 31 do Baralho Lenormand (também conhecido como Baralho ou Tarô Cigano) a carta do Sol, imediatamente a associo a estas mesmas idéias: fonte geradora de novas energias. Chocadeira de idéias, emoções, desejos, vontades, inspiração, o Sol é o alimento, em forma de luz e calor, que necessitamos para sermos gerados e, consequentemente, sermos também férteis, em todos os aspectos.
É reconhecer-se funcional, consciente, ativo, participando, como autor e como platéia, dessa mágica chamada Vida.

Alex Tarólogo

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quinta-feira, 28 de abril de 2016

ACÃO



NA ESTRADA

A foto, ainda que a princípio tenha um aspecto hilário, além de muito criativa é um ótimo exemplo de como podemos "atualizar", por exemplo, a imagem da carta do Carro, Arcano 7 do Tarot.

O que me atrai nesse conceito que o fotógrafo brilhantemente expressou, é a de que somos nós o "veiculo" que vai em busca, que acelera, que se atrasa, cujo pneu fura, ou a turbina pára de funcionar. Somos nós mesmos os pilotos, motorista, aqueles que fazem a máquina funcionar e que a conduzem por tradicionais e seguras rotas pré-fixadas e, algumas vezes, por estradas estranhas e desconhecidas, pelo simples prazer em explorá-las.

Quantas vezes, por comodismo ou medo, pegamos carona no carro alheio, permitindo que eles nos conduzam, acomodando-nos à sua velocidade e destino? Quantas vezes nos deixamos ficar indiferentes aos nossos desejos ou objetivos e, de maneira alienada, entregamos nossas vidas nas mãos dos outros? E em quantas outras lacrimosas ocasiões nos arrependemos disso?

Para ser o piloto, motorista, condutor da nossa própria vida também há que se ter habilitação. Também será necessário provar-se capaz de compreender os sinais de alerta nas ruas e estradas, de saber manobrar com destreza, respeitando leis e obedecendo regras. É preciso mostrar-se habilidoso não somente no arrancar com o veículo, mas também nos momentos mais difíceis de estacioná-lo, quando encontramos o espaço que buscávamos e que se ajusta perfeitamente às nossas necessidades.




E devemos estar atentos à manutenção da viatura. Cuidar do todo e das partes. Da lataria ao computador de bordo. Saber identificar problemas e onde buscar as necessárias soluções. Não deixar que o carro envelheça em sua funcionalidade, ainda que o modelo possa ficar antiquado. Embutir-lhe novas tecnologias para que a segurança de nossas decisões estejam garantidas, beneficiando que completemos nossos planos de viagem.

E, muito importante, é não conduzi-lo sob a influência de nada que possa iludir-nos, desorientar nossa capacidade, diminuir nossa autonomia e embaçar nossa visão do caminho. Pois o carro e seu motorista são um só, fundidos numa única entidade. Se, para assumirmos o controle da direção é necessário que estejamos suficientemente experimentados, para conduzi-lo é preciso sabedoria, destreza, auto-confiança e determinação. É preciso sentir que é chegado o momento exato de acionar a partida e pisar, com firmeza e segurança, no acelerador.

O resto? Bem, o resto vem naturalmente e daí então é só aproveitar a viagem.

Alex Tarologo

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