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quarta-feira, 8 de junho de 2016

EMOÇÕES





EMOÇÕES

Finalmente encontro, na imagem do poster acima, retratada de forma mais positiva, a saída daquele estado de profunda decepção do 5 de Copas.

Se observarmos bem a carta de tarot abaixo, pintada por Pamela Colman Smith para o tarot concebido pelo Waite, o que mais chama a atenção é a soturna figura humana, totalmente coberta pela enorme capa do luto que dela se apossa quando da constatação que 3 taças estão partidas, a seus pés. Sendo o naipe de Copas aquele que representa nossos sentimentos (amor, ódio, arrependimento, decepção, tédio, alegria, pesar, amizade, etc), o líquido contido nessas taças é tão fluido, escorregadio e volátil quanto as emoções que representa.

A negra figura lamenta profundamente a perda sofrida. Provavelmente havia investido todas as suas esperanças afetivas em alguém que, ao final, a decepcionou. Sente-se só, abandonada, afastada do convívio social, inerte, sem vontade de tomar a iniciativa de cruzar novamente o rio de suas emoções, desta vez mais experiente e com a possibilidade de utilizar-se do artificio de uma ponte, e reintegrar-se ao convívio do seu grupo.




Tão profunda é a sua dor que o paralisa e impede que veja que outras taças estão à sua espera. Não consegue lembrar-se de que nem tudo foram perdas, e que momentos felizes também foram vividos. Não consegue perceber que outras oportunidades estão à sua espera, bastando que ele pare de lamentar-se por aquilo que já se perdeu e dê a si mesmo uma nova chance.

Observando a antiga publicidade de um bom vinho do Porto, não pude evitar comparar as duas figuras e imaginar que o homem do poster poderia ser o mesmo do 5 de Copas, só que restabelecido, novamente ativo, pronto para seguir viagem, proporcionar-se novos motivos para sentir-se feliz. Quero acreditar que, tendo vivido intensamente a sua dor, ele tenha, finalmente, sepultado os sentimentos mórbidos, fossem de culpa ou de auto-piedade, e, livre das amarras da frustração, do medo, da vergonha, tenha se voltado e encontrado as taças remanescentes.

A sensação de que tudo esta perdido, de que nada mais vale a pena, de que não teria mais coragem para recomeçar, tudo isso desaparece ao perceber que a fonte que abastece as taças é a nascente de um caudaloso rio. Consciente disso, segue em frente, carregando cuidadosamente como a um troféu, as emoções que ainda pretende viver.

Alex Tarólogo

http://simboloseimagens.blogspot.com

quarta-feira, 9 de março de 2016

SOFRIMENTO





Não há dúvidas, olhando a foto acima, sobre o tipo de sentimento que essa imagem busca expressar. Há, nesse coração preso a um velho poste por voltas de arames farpados, um retrato de dor, sofrimento, arrependimento, desilusão. Tal qual a coroa de espinhos sobre a fronte do Cristo, esses pontiagudos pedaços de metal não só aprisionam e ferem impiedosamente, mas desqualificam o valor do sentimento representado pelo rubro coração.
Essa imagem em muito se assemelha à do 3 de Espadas, uma carta que quase sempre prenuncia tempos bastante sofridos e pesarosos, onde mágoas e lágrimas costumam juntar-se a sentimentos bastante funestos em relação à vida. Como todas as demais cartas do naipe de Espadas, o aspecto que tratam é a nossa mente racional, nossa capacidade de observar, dissecar, analisar e chegar a um resultado. É a lógica, a razão, o aspecto matemático, científico, a capacidade de julgar e tirar conclusões. E, na carta de número 3 desse naipe, temos a clássica ilustração de Pamela Smith para o tarot de Waite, onde 3 espadas atravessam um coração que flutua sob a chuva que cai de cinzentas nuvens. Quadro bastante desolador...







Oracularmente, o 3 de Espadas prenuncia tempos de grandes desapontamentos, de sentimentos de pesar dignos, em sua exaltação, aos mais trágicos libretos operísticos. Há algo de profundamente melodramático nessa carta. Pode, inclusive, ser uma grande desculpa para não encarar a vida de frente, limitando-se ao romântico e operístico papel do amante enlutado.
As espadas cravadas no coração simbolizam que a perspectiva que estamos tendo da situação é enganosa, pois filtra os reais aspectos lógicos e racionais pelo âmbito turbulento, e nem sempre transparente, das emoções.

No século XVIII, o poeta inglês Leigh Hunt escreveu algo que muito bem descreve esse estado de alma:



"Afeto, igual à melancolia, aumenta insignificâncias; o primeiro vê corpos celestiais por um telescópio; o segundo vê monstros por um microscópio."

Alex Tarólogo

http://simboloseimagens.blogspot.com
http://arcanosmaioresdotarot.blogspot.com